terça-feira, 10 de julho de 2007

O que o Ronaldinho Gaúcho tem a ver com Orson Welles?



Em 1938 Orson Welles, então radialista da CBS, resolveu apresentar o livro A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, no programa “Mercury Theater On the Air”, que transpunha clássicos da literatura para o rádio. Acho que já ouviram essa história, por um lance de mestre, transmitiu “a invasão de marcianos” de forma completamente inovadora (inventou um boletim de notícias durante a programação, abusou do improviso, utilizou o silêncio e por aí vai). A histeria provocada foi digna de americano, houve pânico nas ruas, boatos se multiplicaram, congestionamentos em cidades pacatas, fugas em massa e outras tantas.

Fica no ar qual foi o real motivo de Orson Welles com essa transmissão: conseguir um novo contrato? Inovar as transmissões radiofônicas? Dar risada do seu povo? Não se sabe. O que se sabe é que ele conseguiu mobilizar um número incrivelmente grande de pessoas, espalhar um boato extremamente absurdo e fazer com que pessoas tomassem atitudes igualmente absurda.

Traço um paralelo com o vídeo de Ronaldinho batendo a bola 04 vezes no travessão, claro que ninguém saiu correndo pelas ruas, gritando que o Ronaldinho é um marciano infiltrado entre os humanos para nos destruir, mas o fato é que, como há 60 anos, algo imprevisível, fora dos padrões do cotidiano e extremamente fantásticos, fez com que as pessoas comentassem sobre tal feito, perguntassem a seus amigos, criassem histórias sobre histórias. Não importa que tenha sido uma ação planejada, que se duvidasse da veracidade das imagens ou do talento de Ronaldinho. Só o fato de “será que ele fez aquilo mesmo?” virar conversa de botequim já prova a força do vídeo. Creio que essa é a grande força do viral, gerar histórias sobre histórias. O viral é capaz de gerar o imprevisível sobre o imprevisível. Orson Welles sabia como apavorar alguém.

Escute a transmissão

Rubens Suzuki

terça-feira, 3 de julho de 2007

Cyber Lion

Mais um belo festival de Cannes se encerra.
O Brasil traz mais alguns leões de ouro, prata ou bronze , e algumas
agências realizam o sonho de ganhar um cyber.
Uau, a internet no Brasil então agora começa a se tornar mais profissional,
os grandes investimentos vão todos pro mundo virtual e os profissionais dessa área
estão cada vez mais ricos.

Na verdade não. Veja as peças de alguns países da Europa
e até dos Estados Unidos. Sinta o que foi investido ali. Veja o site
Get the Glass e muitas outras grandes produções. Isso é investir em internet.
As peças não parecem ter sido feitas especialmente para ganhar prêmios.
Há uma grande distância em se começar a dar importância a internet e de se investir
em internet. Para entender as diferenças, basta comparar as peças dos diferentes
países. Vocês vão entender o que quero dizer.

Veja aqui

O que é Viral? E como fazê-lo?

Essa é a palavra que pode melhor representar essa nova fase da internet. Na verdade já está há bastante tempo sendo usada. Parece que é uma modalidade nova, ou talvez uma nova fase da internet. Na verdade é só um retrato de algumas mudanças.

Não é de hoje que se tem o costume de se encaminhar e-mails pros amigos, que se colam links pelo Messenger, que você chama seu amigo pra ver um vídeo em sua tela e ele também faz o mesmo com o outro amigo. Não, não é de hoje.
O que acontece é que a tecnologia facilitou mais isso. A conexão de modo geral, melhorou muito, então podemos encaminhar tudo aquilo que recebemos. Além disso, com a web 2.0, não é nem preciso mais encaminhar vídeos. Basta colocá-los no YouTube e repassar a todos.

Na verdade é só um sinal de que a conexão melhorou muito nos últimos tempos e de que a internet se tornou muito mais interativa. Uma grande evolução tecnológica transformou conceitualmente a web e criou muitas novas expressões.

Então virou moda no mundo da comunicação exigir dos publicitários um viral. Fazer com que a marca do seu cliente se torne conhecida e atinja o maior numero de pessoas possível gratuitamente. Apenas o conteúdo é o responsável por isso. Só ele pode ajudar
essa mensagem se tornar um viral.

Para se ter um viral você deve conhecer o seu público e saber exatamente o que ele gosta de ver e repassar (por isso escolhi um sociólogo como sócio).

Essa é minha visão, se está certa ou não, só colocando em prática para saber.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Você já se imaginou lendo um arquivo ultra secreto da CIA?

Você já se imaginou lendo um arquivo ultra secreto da CIA? Coisa de "Missão Impossível", uma mensagem que explode depois de 30 segundos, você tem que sair correndo que nem louco ou jogar a mensagem a 200 m de distância (não me pergunte como). Ficar sabendo que há uma conspiração contra um líder governamental e passar a ser caçado por saber de dados confidenciais, fugindo, pulando de prédio em prédio, encontrando aquela femme fatale agente infiltrada.

Pois é, agora é possível, digamos, mais ou menos...a CIA abriu seus arquivos com as atividades ilegais que promoveu nas décadas de 1960 e 1970 (http://www.estadao.com.br/ultimas/mundo/noticias/2007/jun/26/159.htm). Tem coisas horrorosas que todo mundo sabia, mas não dizia que acreditava para não passar por maluco paranóico ou "nerd que vê muita TV e lê muita ficção científica". Um plano para matar Fidel Castro em conjunto com a máfia, testes de efeito de drogas sem o conhecimento das cobaias (humanas, claro), grampos telefônicos de jornalistas e por aí vai....

Bom, fiquei pensando em uma coisa, eu, morador de SP, estou lendo isso na tela do computador daqui de casa!!! Enquanto deixo o Youtube e o orkut aberto, leio um documento oficial da década de 70 de feitos que poderiam ter mudado o rumo do mundo! Será que a existência da Internet tem relação com o fato de alguns documentos do Estado se tornarem público? Provavelmente não, há outros atores relevantes, mas que a informação está batendo a sua porta (pela tela do computador) é fato que todo mundo sabe há anos.

Rubens Suzuki

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Murchou e eu avisei

É parece que as pessoas começaram a perceber que já são cercadas por uma segunda vida,
ja vivem seus sonhos e os assistem na tv. São avatares. Aceitaram isso. E resolveram deixar de lado o mundo 3D.

eu avisei...

MAIS DO MESMO








Deu no caderno de Informática da Folha de hoje (27/06/07):

Bolha do Second Life começa a murchar
CALMA LÁ - Especialistas em marketing apontam problemas no mundo on-line que desmentem a idéia de Eldorado virtual

GUSTAVO VILLAS BOAS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


O Second Life completou quatro anos no último dia 23. O mundo virtual continua a crescer, mas isso não significa que a empolgação do mercado com o simulador seja a mesma de um ano atrás.
A revista de economia "Forbes", na edição de julho, traz uma matéria sobre as decepções que algumas empresas tiveram no mundo virtual.

Uma delas: o público efetivo não cresce como era esperado.
A American Apparel, celebrada como a primeira varejista a abrir uma loja no Second Life, vai fechar suas portas digitais por causa de "vendas insignificantes", disse Rasmus Schiönning, diretor de web da companhia, à revista.
No final do ano passado, David Churburk, vice-presidente global de marketing na web da Lenovo, enumerou pontos que ele considera negativos no mundo virtual. O mesmo fez Erik Kintz, vice-presidente de estratégia de marketing global da HP, em abril deste ano.
Eles destacam coisas como a dificuldade em medir estatísticas, o caráter sexual de grande parte do conteúdo e o controle frágil de propriedade intelectual dentro do SL.
Um dos problemas é o número usuários. São mais de 7 milhões de cadastros, mas a Linden considerou que, em maio, 507 mil (24.470 brasileiros) eram ativos -ficaram mais de uma hora conectados no mês.

Outro problema: o vazio. Dificilmente mais de 40 mil pessoas estão simultaneamente nos 650 km2 virtuais. Nessas condições, o SL tem uma densidade populacional equivalente à da Tunísia (62 hab/km2), o 134ø país nesse ranking, de acordo com a Wikipédia.
Os consumidores potenciais também são muito menos que os 7 milhões de cadastrados -e com pouca bala na agulha. Em maio, menos de 300 mil pessoas usaram dinheiro dentro do SL. Mais de um terço, menos de US$ 2.


A Internet parece viver de bolhas. Quem não se lembra, poucos anos atrás, quando pipocaram empresas de internet? Naquele tempo a “Bolha” estourou também. Qual será a nova bolha?

Rubens Suzuki

I-phone, e a velha história da velocidade.

Nesse mundo “novo” em que vivemos, precisamos perder
o menos tempo possível nas tarefas do dia-dia.
O ideal é que muitas tarefas possam ser realizadas
ao mesmo tempo, sobrando assim, mais tempo pra fazer
mais coisas. Ou seja, quanto mais tempo livre nós temos,
mais coisas podemos fazer.
Bom, mas que é um celular bonito é.
Se vai dar certo ou não? Bom, já está dando.

Claudiomar Andrade

I-Phone

O I-Phone está chegando, novo ícone da convergência digital. Só falta escovar seus dentes e pentear sua careca. Bye bye palm-top.

Rubens Suzuki

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Second Life, orkut, messenger – tudo aquilo que não somos, mas gostaríamos de ser (visão de publicitário).

Você já esteve numa sala de bate-papo quando tinha
os seus 16, 17 anos, com a intenção de conhecer alguém
(seja namorado (a), amigo(a))?

Qual nome você usava? Aposto que algo que o tornasse
mais interessante do que você realmente é, ou possivelmente
algo que enaltecesse sua principal qualidade, ou até algo que
provocasse a “curiosidade” dos presentes. Quem sabe algo
como “gato18procura” ou talvez “geniodaguitarra_sp”.

Bom, se a resposta é não, além de você ser uma exceção,
aposto que você pelo menos conhece umas 4 ou 5 pessoas
que tinham esse hábito.

E colocar uma bela foto no orkut, fazendo você parecer
um deus grego, ou colocar fotos da França quando você
esteve lá em 98 e mal lembra do tal Arco.
Estamos sempre buscando ser aquilo que não somos,
ou tentando ser aquilo pelo menos. E tem lugar melhor
pra se fazer isso que a internet? Um mundo virtual onde
você pode tudo e as pessoas não te conhecem
suficientemente pra te julgar.

O Second life é tudo isso num único mundo. Como o nome
diz, é a sua segunda vida, é uma nova chance de você
ser tudo isso. É o lugar que sempre sonhamos, é como
o primeiro mundo deveria ser. Mas não é.

O messenger além de ser um comunicador, é também
um lugar onde você pode falar coisas que pessoalmente
talvez não conseguisse, por falta de tempo de raciocínio
antes de falar, ou até por falta de coragem. Sem esquecer
da sua foto, que quase sempre mostra algo não tão
próximo da realidade.

Mas aí vem a pergunta. Quando se faz algum tipo
de “propaganda” para ser usada nesse segundo mundo,
fazemos pensando logicamente no primeiro mundo,
na pessoa e não no avatar. Certo?

Errado.

Quem é que não quer ser visto numa festinha moderna,
cheia de “avatares” bonitos e interessantes, patrocinada
por uma marca de celular. Bom, você na verdade tem
uma outra marca de celular, e até odeia essa marca.
Você nunca foi numa festa como essa e dificilmente irá
porque nunca te convidaram e é bem provável que não
convidem. Nesse caso então, até a propaganda é perfeita
para o seu segundo mundo. Ela é aspiracional, ela é feita
também para preencher os seus sonhos, ela é feita para
o seu avatar, não pra você.

Mas espera ae. Isso já não acontece na vida real? Não
vemos na tv comerciais que mostram aquilo que
gostaríamos de ser, que nos oferece aquilo que sempre
buscamos? Um comercial de cerveja é cheia de mulher
bonita, praia e sol. Olha só que perfeito! É praticamente
um Second Life.

Ué, mas então somos avatares?

No fundo nós somos.
E o Second Life nada mais é do a casa onde sempre
procuramos morar, mas que não existe.

Pelo menos por enquanto.

Claudiomar Andrade
Diretor de arte

Ensinamento

Uma coisa que os clássicos (da literatura, da sociologia, da filosofia, da antropologia, das revistas em quadrinhos ou o que seja) nos ensinam : há ‘tendências’ que estão em curso há décadas.

Second Life e Georg Simmel

Fiquei procurando algum tema interessante e só consegui lembrar de uma palavra: Simmel. Parece nome de sabonete, mas não, Georg Simmel é um alemão maluco do final do século XIX que resolveu escrever sobre o mundo do seu tempo. Ressalto duas coisas: no começo do século XX Simmel falava da intensificação da vida nervosa (adoro esse termo), sobre a mudança de um mundo com uma regularidade habitual e ‘tradicional’ para um mundo veloz e com “rápida concentração de imagens em mudança”, em outros termos, sabe aquela cidade pequena em que você conhece todo mundo, não dá nem para dar uma cochilada na missa do domingo que sua vizinhança inteira fica sabendo? Imagina sair dessa cidade e ir morar no centro de São Paulo.

É mais ou menos por aí. A outra coisa é sobre a condição de estrangeiro dos moradores de grandes metrópoles, o que ocorre é que apesar da proximidade física que morar em uma cidade grande proporciona há uma distância nas relações sociais formadas (lembrem do clássico caso do elevador com duas pessoas que só se vêem no elevador: “Bom dia!” “Bom dia. Acho que vai chover hoje”. E depois ficam ambos olhando para o teto, torcendo para que o elevador chegue logo ao térreo). Nas grandes cidades as pessoas são mais individualistas e livres. Livres porque é possível andar pela multidão sem ser notado. É possível passar por uma vida totalmente incólume, morrer e continuar sem ser notado (lembrei da cena final de Colateral). Mas o que tudo isso tem a ver com esse blog? Creio que tem tudo a ver, afinal, não acabou de surgir um mundo virtual inteiro? Estamos falando do Second Life. Puxa vida, o que é o Second Life senão a liberdade em estado bruto? Imaginem poder caminhar por uma cidade, sendo você, mas não bem você, sendo notado, mas sem ser notado.

Acredito que é expressão do que Simmel falava lá no começo do século XX, a impessoalidade em estado bruto, a velocidade da vida cada vez mais frenética (creio que deva ser mais fácil construir e/ou demolir um prédio na Av. Paulista do Second Life do que na nossa Av. Paulista), a liberdade de ser outra pessoa. Há um problema na liberdade proporcionada pelas grandes cidades e agora pela tecnologia: os laços sociais se tornam mais fracos. Um mundo virtual não obriga ninguém a um compromisso, porque compromisso você faz com o Outro, mas no mundo virtual, quem é o Outro? Mais do que tudo na Internet, no Second Life o Outro é uma ilusão. Não é Matrix, não é chatice da minha parte (talvez um pouco), sei que ninguém vive 24h nesse mundo virtual (apesar de ter minhas dúvidas), mas, como havia dito, o Second Life expressa algo. Acho que ainda podemos aprender alguma coisa com o velho maluco alemão.

Rubens Suzuki


PS: Quem se interessar, tem um texto do Simmel chamado As grandes cidades e a vida do espírito no seguinte link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132005000200010&lng=en&nrm=iso

terça-feira, 19 de junho de 2007

Nascemos















foto (www.dudutomaselli.com)


Bem-vindos ao Interatividade Mousiana, o primeiro e único blog que visa analisar as mudanças que estamos vivendo nos últimos tempos, e enxergar tudo isso não só como uma evolução tecnológica, mas também uma mudança de comportamento.

Aqui vamos postar novidades, notícias e assuntos referentes a internet e outros meios de interatividade, analisando-as e as deixando para serem analisadas.

Bom, chega de papo, vamos em frente.

Obrigado.