Fiquei procurando algum tema interessante e só consegui lembrar de uma palavra: Simmel. Parece nome de sabonete, mas não, Georg Simmel é um alemão maluco do final do século XIX que resolveu escrever sobre o mundo do seu tempo. Ressalto duas coisas: no começo do século XX Simmel falava da intensificação da vida nervosa (adoro esse termo), sobre a mudança de um mundo com uma regularidade habitual e ‘tradicional’ para um mundo veloz e com “rápida concentração de imagens em mudança”, em outros termos, sabe aquela cidade pequena em que você conhece todo mundo, não dá nem para dar uma cochilada na missa do domingo que sua vizinhança inteira fica sabendo? Imagina sair dessa cidade e ir morar no centro de São Paulo.
É mais ou menos por aí. A outra coisa é sobre a condição de estrangeiro dos moradores de grandes metrópoles, o que ocorre é que apesar da proximidade física que morar em uma cidade grande proporciona há uma distância nas relações sociais formadas (lembrem do clássico caso do elevador com duas pessoas que só se vêem no elevador: “Bom dia!” “Bom dia. Acho que vai chover hoje”. E depois ficam ambos olhando para o teto, torcendo para que o elevador chegue logo ao térreo). Nas grandes cidades as pessoas são mais individualistas e livres. Livres porque é possível andar pela multidão sem ser notado. É possível passar por uma vida totalmente incólume, morrer e continuar sem ser notado (lembrei da cena final de Colateral). Mas o que tudo isso tem a ver com esse blog? Creio que tem tudo a ver, afinal, não acabou de surgir um mundo virtual inteiro? Estamos falando do Second Life. Puxa vida, o que é o Second Life senão a liberdade em estado bruto? Imaginem poder caminhar por uma cidade, sendo você, mas não bem você, sendo notado, mas sem ser notado.
Acredito que é expressão do que Simmel falava lá no começo do século XX, a impessoalidade em estado bruto, a velocidade da vida cada vez mais frenética (creio que deva ser mais fácil construir e/ou demolir um prédio na Av. Paulista do Second Life do que na nossa Av. Paulista), a liberdade de ser outra pessoa. Há um problema na liberdade proporcionada pelas grandes cidades e agora pela tecnologia: os laços sociais se tornam mais fracos. Um mundo virtual não obriga ninguém a um compromisso, porque compromisso você faz com o Outro, mas no mundo virtual, quem é o Outro? Mais do que tudo na Internet, no Second Life o Outro é uma ilusão. Não é Matrix, não é chatice da minha parte (talvez um pouco), sei que ninguém vive 24h nesse mundo virtual (apesar de ter minhas dúvidas), mas, como havia dito, o Second Life expressa algo. Acho que ainda podemos aprender alguma coisa com o velho maluco alemão.
Rubens Suzuki
PS: Quem se interessar, tem um texto do Simmel chamado As grandes cidades e a vida do espírito no seguinte link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132005000200010&lng=en&nrm=iso
quarta-feira, 20 de junho de 2007
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